JUSTIFICATIVA PARA A CRIAÇÃO DO CURSO
O Estado do Acre tem 152.589 Km2 (1,8% do território nacional e 3,2% da Amazônia Brasileira). Apresenta uma população de 686.652 habitantes, sendo que 65% residem na zona urbana enquanto 35%, na zona rural. A capital do estado, Rio Branco, conta com 290.639 habitantes sendo 77,80% residentes na zona urbana e 22,20 na zona rural (IBGE, 1996).
A formação econômica do Estado é dividida em duas fases distintas: a primeira, a do extrativismo, que se estendeu até 1960. A Segunda fase caracterizou-se por uma mudança brusca na política de ocupação, pois, a partir de 1970, o Acre sofreu significativas transformações econômicas e sociais, com a implantação da pecuária bovina.
Na História do Acre um fator importante foi esquecido, o grande potencial florestal (fauna e flora) da região. Este fato hoje reconhecido, preocupa os órgãos públicos que buscam um novo modelo de desenvolvimento para a região, com formas alternativas de associar a exploração extrativista e a exploração agropecuária, fato este que poderá anexar novos padrões de qualidade de vida para as populações regionais.
No Acre, como em outros estados da Amazônia e nos países vizinhos observa-se um déficit na produção pecuária, sobretudo naquela pautada de uma consciência ambiental associada a produção agro-florestal sustentada, baseada em sistemas de produção animal adequados, sendo imperativa a sua adoção e/ou adaptação além da criação de tecnologias compatíveis com a realidade regional.
A produção animal no Acre se caracteriza pela bovinocultura de corte e leite, avicultura de corte e postura, suinocultura, coturnicultura, piscicultura, ovinocultura, caprinocultura e apicultura, além da criação de animais silvestres.
A bovinocultura é uma das principais atividades pecuárias do estado. Segundo dados do IBGE (2006) o contingente bovino do estado é de aproximadamente 2 milhões de cabeças. A maioria destes é destinada à produção de carne e se caracterizam pelo excelente potencial genético e criação em sistema extensivo ou super-extensivo. Os bovinos destinados à produção leiteira são responsáveis pela produção de 32.338 mil litros por ano. Estes são de baixa qualidade genética e a produção média é de cerca de 2 litros por animal/dia.
A criação de suínos é pouco tecnificada e o estado conta com um rebanho de 161.181 animais das mais variadas raças, destacando-se suínos com pouca qualidade genética, destinados à produção de carne com alto teor de gordura.
A avicultura de corte vem crescendo nos últimos anos com especial atenção para aves criadas em sistema caipira. A criação de frangos de corte industrial esbarra no alto custo de produção pela dificuldade em aquisição de ração para satisfazer às necessidades nutricionais destes animais. A produção de ovos atingiu em 1996, 1.872 mil dúzias o que corresponde a menos da metade do consumo da população acreana. Destaca-se a produção de ovos vermelhos pela preferência da população e menor concorrência com o produto importado.
A criação de animais silvestres em cativeiro tem crescido muito, nos últimos anos, com destaque para a criação de quelônios, porcos do mato, capivaras e cutias. Na criação destes animais podemos destacar projetos pioneiros coordenados pela Sociedade Acreana de Medicina Veterinária – Projeto Mãe da Mata em Epitaciolândia e pela Universidade Federal do Acre – Caboclinho da Mata, na Fazenda Experimental Catuaba em Rio Branco - AC.
Outras atividades zootécnicas têm se desenvolvido ao longo dos anos com maior destaque para a piscicultura que desponta como uma realidade no meio rural, o que se deve à disponibilidade de áreas, água e espécies regionais adaptadas à criação em cativeiro.
O Estado do Acre não conta com curso de Medicina Veterinária. Na Região Norte, podemos encontrar curso de Medicina Veterinária nos Estados do Pará, Amazonas, Tocantins e Rondônia. Ressaltamos que o curso existente em Rondônia é ministrado por uma instituição particular de ensino superior.
A criação do Curso de Medicina Veterinária em uma Instituição com forte tradição no ensino de Ciências Agrárias, não só reforça os propósitos da Universidade, mas também contribui para a inserção da UFAC em outros campos do conhecimento, uma vez que a Medicina Veterinária permeia a área da Saúde e das Ciências Agrárias.
O CGMV tem por objetivo geral a formação de profissionais generalistas, habilitados para o exercício de atividades ligadas às diversas áreas de abrangência da profissão, tais como: produção animal, sanidade animal, tecnologia e controle de qualidade de produtos de origem animal, saúde pública, planejamento, administração e extensão rural e preservação da fauna.
O Curso de Medicina Veterinária se insere no contexto do Acre, através da UFAC, representando a vertente viabilizadora da implantação de linhas de estudos técnicos e científicos, capazes de subsidiarem a implantação de programas de produção animal, zoossanitários, de preservação e multiplicação de espécies, recuperação de áreas degradadas, inspeção e fiscalização de produtos de origem animal, suficientes para propiciar o desenvolvimento sustentado deste setor produtivo na região, aproveitando as potencialidades e aspectos locais, promovendo um convívio harmônico e equilibrado entre o homem e animais no ambiente florestal e nas suas interfaces com as áreas rurais, sub-urbanas e com os centros urbanizados.
O curso de Medicina Veterinária na UFAC surge como oportunidade para a ampliação de estudos e criação de tecnologias capazes de diversificar, desenvolver e ampliar o potencial de produção de proteína de origem animal na região, tanto pela melhoria da produção pecuária baseada na criação de animais domésticos, como pela adoção de tecnologias já existentes ou daquelas resultantes das investigações locais na criação de animais silvestres em cativeiro no meio rural e/ou em sistemas desenvolvidos no próprio ambiente florestal.
Na Amazônia, no Estado do Acre e nos países vizinhos observa-se um déficit na produção pecuária sobretudo naquela pautada de uma consciência ambiental associada a produção agro-florestal sustentada, baseada em sistemas de produção animal adequados, sendo imperativa a sua adoção e/ou adaptação além da criação de tecnologias compatíveis com a realidade regional.
A insuficiência de estudos sobre as condições do ambiente criatório regional para produção de proteína de origem animal com maior eficiência e a falta de conhecimentos mais aprofundados sobre a ocorrência de doenças e sobre as medidas que podem ser adotadas para o seu combate, também constituem justificativas importantes para a implantação do curso.
O estudo, com maior profundidade, das Zoonoses, doenças animais transmitidas ao homem por via direta ou indireta, através de produtos de origem animal, como a tuberculose, brucelose, leptospirose e raiva se torna imperativo e, a formação local de profissionais detentores de conhecimentos peculiares da região, o credenciará a construção e execução de programas de profilaxia de doenças além de ações em programas de inspeção de produtos de origem animal, vigilância sanitária e epidemiológica.
Dessa forma, o CGMV apresenta-se como uma proposta de formação de profissionais generalistas, habilitados para o exercício de atividades ligadas às diversas áreas de abrangência da profissão, tais como: produção animal, sanidade animal, tecnologia e controle de qualidade de produtos de origem animal, saúde pública, planejamento, administração e extensão rural e preservação da fauna, proporcionando ao nosso Estado uma oportunidade e uma vantagem em lidar com os diversos aspectos da atividade criatória, combate à fome e à miséria, bem como referente à cultura preservacionista da região.
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