Veterinária Ufac
O Curso de Medicina Veterinária da UFAC foi criado em dezembro de 2008 e a primeira turma atualmente se encontra no 5º período.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Identificação do Curso de Medicina Veterinária da UFAC
IDENTIFICAÇÃO DO CURSO
1 – Nome: CURSO DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA – CGMV
2 – Modalidade: BACHARELADO
3 – Duração do Curso: Mínimo – 5 anos e Máximo – 8 anos
4 – Carga Horária do Curso – 4.530 horas
5 – Disciplinas Obrigatórias – 3.540 horas
6 – Disciplinas Optativas – 270 horas
7 – Atividades Complementares – 120 horas
8 – Estágio Curricular Supervisionado – 540 horas
9 – TCC – Monografia – 60 horas
Presentação do Curso de Medicina Veterinária da UFAC
APRESENTAÇÃO
O Estado do Acre se caracteriza como ponto estratégico no que se refere à integração com países como a Bolívia e o Peru, sendo uma saída viável para o Oceano Pacífico e, principalmente, por se constituir em um dos últimos Estados do país que possui um espaço agrícola a ser ocupado. Estes aspectos geram preocupação na medida em que se constata um fluxo migratório acentuado com conseqüente ocupação de suas terras, enquanto que os estudos sobre os recursos naturais da região são escassos e insuficientes.
Questões conjunturais da mais vasta ordem estão passando a exigir das Instituições de Ensino Superior, novos paradigmas para desenvolvimento dos mecanismos de aquisição do saber, como formas do estabelecimento de efetivas mudanças sócio-econômicas necessárias ao fortalecimento dos países de terceiro mundo. As rápidas e constantes inovações científicas que alavancaram o avanço tecnológico, vêm desencadeando, nos últimos anos, uma renovação da educação, enquanto variável estratégica para o processo de globalização da economia.
As Universidades brasileiras estão vivenciando momentos de mudanças como resultado do processo de avaliação interna pelo qual passaram nos últimos tempos. É, pois, papel de cada Instituição de Ensino Superior (IES), lutar para não ficar à margem das exigências do mundo atual. Neste sentido, a Universidade Federal do Acre vem se esforçando para repensar a sua prática acadêmica e administrativa, procedendo a estudos que propiciem o estabelecimento de novas linhas de ação.
O Projeto de criação do curso de Medicina Veterinária aponta os princípios norteadores, os objetivos, o perfil profissional e as áreas de atuação do profissional egresso, assim como ressalta aspectos envolvendo o corpo docente, as estratégias utilizadas na transmissão do conhecimento, a estrutura curricular, bem como o levantamento de recursos humanos e materiais que deverão estar disponíveis para a formação dos profissionais em Medicina Veterinária.
O presente documento deve ser dinâmico e constantemente atualizado podendo e devendo sempre ser modificado por completo ou em partes, visando atender aos anseios da coletividade e oferecendo subsídios para a formação de profissionais competentes e conscientes de sua importância na sociedade para que possam contribuir com o desenvolvimento econômico, científico e cultural do Estado do Acre.
Este Projeto tem, portanto, a necessidade da participação de todos: “corpo docente, discente, técnicos administrativos e sociedade em geral”, para a construção de uma mentalidade democrática estável e formal, visando a confecção de um projeto sólido que propicie a formação de um Médico Veterinário competente, ético e comprometido com o desenvolvimento social e humanístico da população. Além disso, deve ter flexibilidade suficiente para acompanhar a constante e salutar transformação da comunidade brasileira e mundial.
Justificativa para criação do Curso de Medicina Veterinária da UFAC
JUSTIFICATIVA PARA A CRIAÇÃO DO CURSO
O Estado do Acre tem 152.589 Km2 (1,8% do território nacional e 3,2% da Amazônia Brasileira). Apresenta uma população de 686.652 habitantes, sendo que 65% residem na zona urbana enquanto 35%, na zona rural. A capital do estado, Rio Branco, conta com 290.639 habitantes sendo 77,80% residentes na zona urbana e 22,20 na zona rural (IBGE, 1996).
A formação econômica do Estado é dividida em duas fases distintas: a primeira, a do extrativismo, que se estendeu até 1960. A Segunda fase caracterizou-se por uma mudança brusca na política de ocupação, pois, a partir de 1970, o Acre sofreu significativas transformações econômicas e sociais, com a implantação da pecuária bovina.
Na História do Acre um fator importante foi esquecido, o grande potencial florestal (fauna e flora) da região. Este fato hoje reconhecido, preocupa os órgãos públicos que buscam um novo modelo de desenvolvimento para a região, com formas alternativas de associar a exploração extrativista e a exploração agropecuária, fato este que poderá anexar novos padrões de qualidade de vida para as populações regionais.
No Acre, como em outros estados da Amazônia e nos países vizinhos observa-se um déficit na produção pecuária, sobretudo naquela pautada de uma consciência ambiental associada a produção agro-florestal sustentada, baseada em sistemas de produção animal adequados, sendo imperativa a sua adoção e/ou adaptação além da criação de tecnologias compatíveis com a realidade regional.
A produção animal no Acre se caracteriza pela bovinocultura de corte e leite, avicultura de corte e postura, suinocultura, coturnicultura, piscicultura, ovinocultura, caprinocultura e apicultura, além da criação de animais silvestres.
A bovinocultura é uma das principais atividades pecuárias do estado. Segundo dados do IBGE (2006) o contingente bovino do estado é de aproximadamente 2 milhões de cabeças. A maioria destes é destinada à produção de carne e se caracterizam pelo excelente potencial genético e criação em sistema extensivo ou super-extensivo. Os bovinos destinados à produção leiteira são responsáveis pela produção de 32.338 mil litros por ano. Estes são de baixa qualidade genética e a produção média é de cerca de 2 litros por animal/dia.
A criação de suínos é pouco tecnificada e o estado conta com um rebanho de 161.181 animais das mais variadas raças, destacando-se suínos com pouca qualidade genética, destinados à produção de carne com alto teor de gordura.
A avicultura de corte vem crescendo nos últimos anos com especial atenção para aves criadas em sistema caipira. A criação de frangos de corte industrial esbarra no alto custo de produção pela dificuldade em aquisição de ração para satisfazer às necessidades nutricionais destes animais. A produção de ovos atingiu em 1996, 1.872 mil dúzias o que corresponde a menos da metade do consumo da população acreana. Destaca-se a produção de ovos vermelhos pela preferência da população e menor concorrência com o produto importado.
A criação de animais silvestres em cativeiro tem crescido muito, nos últimos anos, com destaque para a criação de quelônios, porcos do mato, capivaras e cutias. Na criação destes animais podemos destacar projetos pioneiros coordenados pela Sociedade Acreana de Medicina Veterinária – Projeto Mãe da Mata em Epitaciolândia e pela Universidade Federal do Acre – Caboclinho da Mata, na Fazenda Experimental Catuaba em Rio Branco - AC.
Outras atividades zootécnicas têm se desenvolvido ao longo dos anos com maior destaque para a piscicultura que desponta como uma realidade no meio rural, o que se deve à disponibilidade de áreas, água e espécies regionais adaptadas à criação em cativeiro.
O Estado do Acre não conta com curso de Medicina Veterinária. Na Região Norte, podemos encontrar curso de Medicina Veterinária nos Estados do Pará, Amazonas, Tocantins e Rondônia. Ressaltamos que o curso existente em Rondônia é ministrado por uma instituição particular de ensino superior.
A criação do Curso de Medicina Veterinária em uma Instituição com forte tradição no ensino de Ciências Agrárias, não só reforça os propósitos da Universidade, mas também contribui para a inserção da UFAC em outros campos do conhecimento, uma vez que a Medicina Veterinária permeia a área da Saúde e das Ciências Agrárias.
O CGMV tem por objetivo geral a formação de profissionais generalistas, habilitados para o exercício de atividades ligadas às diversas áreas de abrangência da profissão, tais como: produção animal, sanidade animal, tecnologia e controle de qualidade de produtos de origem animal, saúde pública, planejamento, administração e extensão rural e preservação da fauna.
O Curso de Medicina Veterinária se insere no contexto do Acre, através da UFAC, representando a vertente viabilizadora da implantação de linhas de estudos técnicos e científicos, capazes de subsidiarem a implantação de programas de produção animal, zoossanitários, de preservação e multiplicação de espécies, recuperação de áreas degradadas, inspeção e fiscalização de produtos de origem animal, suficientes para propiciar o desenvolvimento sustentado deste setor produtivo na região, aproveitando as potencialidades e aspectos locais, promovendo um convívio harmônico e equilibrado entre o homem e animais no ambiente florestal e nas suas interfaces com as áreas rurais, sub-urbanas e com os centros urbanizados.
O curso de Medicina Veterinária na UFAC surge como oportunidade para a ampliação de estudos e criação de tecnologias capazes de diversificar, desenvolver e ampliar o potencial de produção de proteína de origem animal na região, tanto pela melhoria da produção pecuária baseada na criação de animais domésticos, como pela adoção de tecnologias já existentes ou daquelas resultantes das investigações locais na criação de animais silvestres em cativeiro no meio rural e/ou em sistemas desenvolvidos no próprio ambiente florestal.
Na Amazônia, no Estado do Acre e nos países vizinhos observa-se um déficit na produção pecuária sobretudo naquela pautada de uma consciência ambiental associada a produção agro-florestal sustentada, baseada em sistemas de produção animal adequados, sendo imperativa a sua adoção e/ou adaptação além da criação de tecnologias compatíveis com a realidade regional.
A insuficiência de estudos sobre as condições do ambiente criatório regional para produção de proteína de origem animal com maior eficiência e a falta de conhecimentos mais aprofundados sobre a ocorrência de doenças e sobre as medidas que podem ser adotadas para o seu combate, também constituem justificativas importantes para a implantação do curso.
O estudo, com maior profundidade, das Zoonoses, doenças animais transmitidas ao homem por via direta ou indireta, através de produtos de origem animal, como a tuberculose, brucelose, leptospirose e raiva se torna imperativo e, a formação local de profissionais detentores de conhecimentos peculiares da região, o credenciará a construção e execução de programas de profilaxia de doenças além de ações em programas de inspeção de produtos de origem animal, vigilância sanitária e epidemiológica.
Dessa forma, o CGMV apresenta-se como uma proposta de formação de profissionais generalistas, habilitados para o exercício de atividades ligadas às diversas áreas de abrangência da profissão, tais como: produção animal, sanidade animal, tecnologia e controle de qualidade de produtos de origem animal, saúde pública, planejamento, administração e extensão rural e preservação da fauna, proporcionando ao nosso Estado uma oportunidade e uma vantagem em lidar com os diversos aspectos da atividade criatória, combate à fome e à miséria, bem como referente à cultura preservacionista da região.
Objetivos para criação do Curso de Medicina Veterinária na UFAC
OBJETIVOS PARA A CRIAÇÃO DO CURSO
A criação do CGMV visa a formação e a capacitação profissional de Médicos Veterinários para o exercício amplo de suas atribuições profissionais. Durante o curso o aluno receberá a formação em diversos campos das Ciências Biológicas e Ciências da Saúde e desenvolverá um espírito crítico e reflexivo sobre os mesmos. Receberá também a formação nas Ciências da Medicina Veterinária, nos campos da saúde animal, da clínica e da cirurgia veterinárias, medicina veterinária preventiva, saúde pública, zootecnia, produção animal e tecnologia e inspeção de produtos de origem animal, desenvolvendo competências e senso crítico para a atuação profissional e para a gestão de sua educação continuada. Contemplar-se-á ainda a formação nas áreas de Ciências Humanas e Sociais que fornecerão habilidades de comunicação, gestão administrativa, informática e de compreensão dos determinantes sociais e culturais envolvidos no exercício da profissão. O CGMV visa também, de uma maneira geral, ampliar a base cognitiva dos indivíduos nos diferentes campos do relacionamento humano, o que é estimulado pelo reconhecimento institucional das experiências vivenciadas pelos estudantes em atividades que objetivem o enriquecimento sociocultural humano.
Perfil do Profissional Médico Veterinário
PERFIL DO PROFISSIONAL MÉDICO VETERINÁRIO
O Médico Veterinário formado pela UFAC deve ser um profissional com formação generalista e reconhecida capacidade de raciocínio lógico, de observação, de interpretação e de análise de dados e informações. Deve ainda ser conhecedor dos aspectos essenciais da Medicina Veterinária, para identificação e resolução de problemas, considerando seus aspectos políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais, com visão ética e humanística, em atendimento às demandas da sociedade.
Desta forma, o Médico Veterinário egresso deverá ter consciência de seu papel como profissional de saúde e de ciências agrárias. Deve apresentar habilidades para desenvolver ações no âmbito de seus campos específicos de atuação em saúde animal e clínica veterinária; saneamento e medicina veterinária preventiva; saúde pública e inspeção e tecnologia de produtos de origem animal; zootecnia, produção e reprodução animal, ecologia e proteção ao meio ambiente. Devido à necessidade de inserção do Médico Veterinário no contexto globalizado, este deverá ter consciência da necessidade do domínio de outros idiomas e das novas tecnologias de informação.
A Universidade terá direcionamento das ações para habilitar o profissional a construir atitudes de sensibilidade e compromisso social, ao mesmo tempo em que lhe provê sólida formação científica e profissional geral que o capacite a absorver e desenvolver tecnologias, observando tanto o aspecto do progresso social quanto da competência científica e tecnológica, permitindo ao profissional a atuação crítica e criativa no reconhecimento e tomada de decisões com relação às necessidades dos indivíduos, grupos sociais e comunidade.
Competências e Habilidades do Médico Veterinário
COMPETÊNCIAS E HABILIDADES DO MÉDICO VETERINÁRIO
As competências e habilidades desejadas aos egressos do Curso de Graduação em Medicina Veterinária da UFAC são as estabelecidas pela legislação vigente, Resolução CNE/CES nº 1 de 18 de fevereiro de 2003, em seu Art. 4º, a seguir:
I - Atenção à saúde: os profissionais de saúde, dentro de seu âmbito profissional, devem estar aptos a desenvolver ações de prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde, tanto em nível individual quanto coletivo. Cada profissional deve assegurar que sua prática seja realizada de forma integrada e continua com as demais instâncias do sistema de saúde. Sendo capaz de pensar criticamente, de analisar os problemas da sociedade e de procurar soluções para os mesmos. Os profissionais devem realizar seus serviços dentro dos mais altos padrões de qualidade e dos princípios da ética/bioética, tendo em conta que a responsabilidade da atenção à saúde não se encerra com o ato técnico, mas sim, com a resolução do problema de saúde, tanto em nível individual como coletivo;
II - Tomada de decisões: o trabalho dos profissionais de saúde deve estar fundamentado na capacidade de tomar decisões visando o uso apropriado, eficácia e custo efetividade, da força de trabalho, de medicamentos, de equipamentos, de procedimentos e de práticas. Para este fim, os mesmos devem possuir competências e habilidades para avaliar, sistematizar e decidir as condutas mais adequadas, baseadas em evidências científicas;
III - Comunicação: os profissionais de saúde devem ser acessíveis e devem manter a confidencialidade das informações a eles confiadas, na interação com outros profissionais de saúde e o público em geral. A comunicação envolve comunicação verbal, não verbal e habilidades de escrita e leitura; o domínio de, pelo menos, uma língua estrangeira e de tecnologias de comunicação e informação;
IV - Liderança: no trabalho em equipe multiprofissional, os profissionais de saúde deverão estar aptos a assumirem posições de liderança, sempre tendo em vista o bem estar da comunidade. A liderança envolve compromisso, responsabilidade, empatia, habilidade para tomada de decisões, comunicação e gerenciamento de forma efetiva e eficaz;
V - Administração e gerenciamento: os profissionais devem estar aptos a tomar iniciativas, fazer o gerenciamento e administração tanto da força de trabalho, dos recursos físicos e materiais e de informação, da mesma forma que devem estar aptos a serem empreendedores, gestores, empregadores ou lideranças na equipe de saúde;
VI - Educação permanente: os profissionais devem ser capazes de aprender continuamente, tanto na sua formação, quanto na sua prática. Desta forma, os profissionais de saúde devem aprender a aprender e ter responsabilidade e compromisso com a sua educação e o treinamento/estágios das futuras gerações de profissionais, mas proporcionando condições para que haja beneficio mútuo entre os futuros profissionais e os profissionais dos serviços, inclusive, estimulando e desenvolvendo a mobilidade acadêmico/profissional, a formação e a cooperação através de redes nacionais e internacionais.
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